Início do segundo ano letivo da faculdade, primeiro da ‘’ nova ‘’ faculdade.
Primeiro dia de aula e eu com aquela insegurança, afinal todo mundo já se conhecia, menos eu.
Para minha sorte Júlia também estudava naquela faculdade, não no mesmo curso, fazia direito, mas era , ao menos, uma companhia nos tempos vagos ou alguém para me apresentar a faculdade em si.
6:00 e o relógio despertou. Acordei animada, mas com aquele receio. Tomei meu banho, coloquei meu melhor perfume. Penteei os cabelos e me maquiei de leve. Vesti uma calça branca e uma blusa da mesma cor. Desci para tomar meu café, meu pai já estava sentado no sofá, vendo jornal e tomando seu café, enquanto minha mãe estava na cozinha preparando meu suco.
Nossa, quanta mordomia! – Brinquei, afinal não era sempre que minha mãe acordava cedo para fazer meu café da manhã.
Tomei meu suco de laranja e escutei minha prima buzinar, corri para escovar meus dentes. Não queria atrapalhar meu pai, afinal a faculdade era no sentido contrário do trabalho dele e minha casa era caminho para minha prima ir a faculdade, então não tinha problema nenhum pegar carona até completar meus dezoito aninhos.
Desci apressada, dei dois beijos nos meus pais e me despedi, como sempre fiz.
Minha prima ligou o carro, aquele frio na barriga subiu e ela deu a partida.
Coincidência ou não, mas nossos horários batiam praticamente todos os dias, graças a Deus. Menos na Quinta, dia que ela saia uma hora mais cedo, então eu deveria voltar de ônibus ou arrumar companhia até minha casa.
Fomos ouvindo música, enquanto ela falava e falava da faculdade, dos professores, dos alunos, das festas. A cada palavra que saia da boca dela eu abria um sorriso e me empolgava mais e mais com minha nova ‘’ Segunda casa ‘’.
Chegamos! – Ela disse enquanto estacionava o carro em uma das vagas do enorme estacionamento.
E aquele frio na barriga tomou conta de mim novamente. Entrei na faculdade, a seguindo, ela cumprimentou o porteiro e algumas outras pessoas que estavam presentes, eu apenas sorri e balancei a cabeça mostrando minha educação.
A faculdade era dividida em prédios, parecia um condomínio, tinha alguns restaurantes, a biblioteca central, banheiros além de uma sala que era a secretaria. Os prédios não eram muito grandes horizontalmente, porém enormes verticalmente. Havia chegado a hora de me separar da minha guia turística, o prédio dela ficava uns dois prédios antes do meu. Ela entrou e lá segui, sozinha, até a ‘’ minha nova área ‘’.
Entrei, minha primeira imagem eram várias e várias pessoas de branco, me lembrei do ano novo que passei em copacabana com minha família. Meu prédio era dividido em medicina e odonto, isso explicava a quantidade de ‘’ mães de santo ‘’ no prédio.
Verifiquei qual sala seria minha primeira aula, e subi. Olhei pelo vidro da porta, devia Ter umas 20 pessoas no máximo. Sentei na terceira fileira, no canto. Ao meu lado se sentou uma menina, um pouco acima do peso, de óculos. Os cabelos eram simplesmente lindos, cachos feitos e loiros. Encantadores olhos azuis se escondiam debaixo dos óculos fundo de garrafa. A roupa branca a deixava ainda mais gordinha. Parecia ser quieta, só parecia. Ao longo da aula começamos a conversar, ela me fez um resumo de toda a turma e dos professores. Seu nome era Clara, tinha 18 anos e era uma das mais inteligentes de toda a turma. Me apresentou a algumas pessoas, dentre elas Maria Eduarda, era alta, macérrima e negra. Um contraste engraçado com Clara, que era baixinha, acima do peso e bem branca. Duda, seu apelido, foi modelo na adolescência, mas tinha deixado isso de lado. Se orgulhava das suas raízes, seus cabelos afro, conhecidos como black power, sempre chamavam atenção. Ela os usava com uma faixa caida de lado, o que era um charme. Tinha 19 anos, porém aparentava mais. Era uma mistura de determinação e pontualidade morando no mundo fashion, e Miguel, seu namorado, era, também, muito alto, olhos cor de mel, com seus braços musculosos assustava qualquer um. Mas isso não escondia o doce de pessoa que tinha por baixo daquele corpo sarado. Tinha sido instrutor da academia por um bom tempo, enquanto não decidia o que fazer de verdade, era o mais velho da turma, com seus 22 anos, Henrique, era apelidado de pinsher, mesmo sendo o mais baixinho e magrinho sempre estava invocado. Tinha cabelos castanhos escuros e conseguia ser mais branco que Clara. Adorava música e carregava seu Ipod para cima e para baixo. Mesmo sendo o irritadinho da turma vivia fazendo piada com tudo e vivia com um sorriso no rosto. Tinha 20 anos com carinha de 16. Clara, além de todas as característica citadas tinha um coração sem igual. Posso dizer que foi a melhor amiga que tive desde que sai de Minas, sempre presente. Ela tinha uma risada engraçada e cativante, mesmo estando acima do peso se vestia muito bem e tinha lá suas quedinhas por Henrique.
Me identifiquei logo de cara com eles, tanto que no primeiro dia já saimos pra almoçar juntos. Liguei para minha mãe e avisei que iria sair com uns novos amigos, ela ficou um pouco assustada, com medo, afinal não conhecia as pessoas, mas deixou. Lá fomos nós de carona com Miguel. Júlia, minha prima, disse que ia ficar esperando um ‘’ amigo’’. Lá fomos nós, pra um restaurante ali perto mesmo. Enquanto comíamos eles me contavam fatos engraçados ocorridos na faculdade, as pérolas da turma, as piadas dos professores, entre outras coisas.
Algumas semanas se passaram e eu já estava totalmente incluída naquela faculdade, já conhecia bastante gente e já era parte daquele grupo. Uma parte vela, e põe vela nisso.
É, eu era totalmente vela naquele grupo. Até que decidiram encontrar alguém pra mim.
Eu não precisava de ninguém, eu estava bem daquele jeito, solteira. Queria me dedicar aos estudos e só. Mas minhas desculpas não foram suficientes, eles tinham que encontrar alguém pra mim, até que, por um descuido meu, comentei com Clara que tinha um menino na classe que chamava minha atenção, fazia apenas uma matéria comigo, seu nome era Tales. Não era bonito, mas seu jeito, sua voz, não sei, alguma coisa nele despertava algo mais. De vez em quando trocávamos olhares, e eu desviava meu olhar para o quadro. Clara já tinha feito algumas matérias com ele, não sabia muito a respeito, até porque ele sempre fora muito quieto.
Tales, quer sair com a gente Quinta? – Pergunta Clara.
Sair com a gente? O que ela está fazendo? – Pensei comigo mesma.
Ele aceitou e combinaram o bar. Todo mundo estava feliz com aquela história, mas alguém me perguntou o que eu queria? O que eu achava daquilo tudo?
Não, eu não conseguia parar de pensar no Fernando desde que coloquei meus pés novamente no Rio, como iria conseguir ficar com alguém que não fosse ele? Que não tivesse os mesmos olhos dele?
Marília, de uma chance para o menino, afinal voce está no Rio há um mês e ainda não encontrou Fernando! – Diziam juntos o anjinho e o diabinho que carregamos nos ombros.
É, eu precisava dar uma chance ao Tales, precisava dar uma chance a mim mesma.
Quinta feira, fizemos o mesmo trajeto, faculdade – bar. Convidei Júlia, mas ela iria ficar na faculdade estudando para prova de Sexta.
Chegamos no mesmo bar, na mesma mesa, chamamos o mesmo garçon, porém agora tinha um copo a mais na mesa. E era esse um copo que me assustava, não com o ‘’ali e agora’’, mas com o que aconteceria depois. E se desse certo? Se desse muito certo a ponto de superar as minhas expectativas com Fernando? E se desse errado? Se desse tão errado a ponto de me machucar novamente, como me machuquei com Caio? Eu não queria arriscar, nunca fui de brincar com a sorte, nem no jogo, muito menos no amor.
sábado, 25 de abril de 2009
Segundo Capítulo - A Faculdade
Postado por Mônica às 23:02
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