Ontem, hoje e sempre.
A frase que mais define minha vida ao lado de Fernando.
Aquela peste que eu tinha deixado para trás quando fui morar no interior. Brigávamos mais do que brincávamos, eram horas e horas reclamando, puxando cabelo, mordendo um ao outro. Foram 6 anos de convivência com aquele pirralho, e por mais chato que ele fosse ... me fez muita falta.
E por doze anos minhas lembranças foram fotos e uma cartinha que ele fez me chamando de anja do mau. Não sei porque, mas toda criança de 6 anos se sente mal ao ser chamada assim, mas no fundo no fundo, eu gostava.
Tentamos manter contato, mas minha mãe perdeu o telefone dos pais de Fernando, e as cartas não eram retornadas, já deviam Ter mudado de endereço.
Até que retornei para minha cidade natal, tudo havia mudado. Minha casa de infância já não era mais a mesma. O portãozinho de madeira agora era portões gigantes brancos, com camera de segurança, alarme e outras tecnologias para garantir a segurança da nova família.As paredes amarelas da entrada deram lugar a paredes verde limão. O enorme jardim de minha mãe cedeu espaço para uma grande piscina e uma churrasqueira, nosso telhado se transformou em piso para o segundo andar construído. Porém o mais triste, que me arrancou uma lágrima acompanhada de um sorriso por lembrar todos os meus momentos bons, foi não ver o meu balanço na árvore. Pois já não havia mais árvore, era agora o lugar dos cachorros da nova família.
Olhei em volta, a rua estava como nova, carros caros, com pinturas chamativas estacionavam ali. Caminhei um pouco mais, vi a casa de dona Ruth, uma senhora que morava poucas casas antes de Fernando, fazia um bolo de cenoura que era uma delícia! Falecera um dia antes do meu aniversário de 8 anos, nem pude me despedir.
Vi outras casas um pouco diferentes, algumas irreconhecíveis. O bairro havia ganho muito nome, e se tornou um dos melhores lugares para se viver. Andei um pouco mais, na verdade, corri, como sempre fazia até chegar na casa de Fernando. Encontrei muros e portões bem mais altos, tentei olhar pelo canto do portão. Consegui ver paredes brancas, mas a casa parecia estar fechada há muito tempo. Até que um cachorro veio em minha direção.
PINGO! – Gritei sorridente.
Não, não era Pingo, apesar de sua grande semelhança com o cachorro de Fernando. Pingo tinha uma mancha preta na orelha, e jamais esqueceria aquele olhar de quem pede um abraço ou quer passear. Era apenas um cachorro, um novo cachorro da vizinhança. Até que uma menininha, de cabelos curtos e encaracolados pegou seu cachorro e apenas sorriu correndo em direção a praça.
Ah! A praça, que saudades daquilo tudo, mesmo saindo dali tão pequena ainda lembrava nitidamente de todas minhas tardes naquele pedaço do céu infantil. Voltava da escolinha, pegava minha bicicleta e ia andar, me lembro que um dos dias mais felizes foi quando eu consegui andar na bicicleta de Fernando, sem rodinhas. Saimos para comemorar, tomamos sorvete na beira da praia a noite e fizemos castelinho na areia molhada. Voltamos para casa sujos, levamos metade da areia da praia em nossos cabelos, mas o que demos um ao outro naquela noite eu guardo até hoje, uma concha, bem frágil e pequena. A guardo com todo meu carinho, no colar que uso todos os dias.
sexta-feira, 17 de abril de 2009
Primeiro Capítulo - O RETORNO
Postado por Mônica às 10:24
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