Minha mãe me chamou e fui. Entrei no carro observando pela janela a velha nova rua que ia ficando para trás.
Pouco tempo depois chegamos a nova casa. Era grande, muito grande. Na verdade era enorme só para nós três, ainda mais comparando com a casinha anterior, de minas. Meus pais já tinham começado a mudança um tempo antes, estava tudo no lugar, faltava comprar alguns móveis, mas não liguei pra isso. A entrada parecia nos levar a casas gigantes de filme, e realmente nos levava. Portões automáticos brancos, um enorme jardim com todos os tipos de flores possíveis e imagináveis, já que meus pais sempre foram ligados a natureza, uma piscina que ainda estava vazia, um corredor largo que dava para parte de trás da casa, um lounge confortável, perto da porta de entrada. A sala era na verdade um salão, o lugar onde logo estaria sentada, conversando com meus pais enquanto assistiam jornal e tomavam café, no sofá, e eu meu suco de laranja, sentada no outro sofá um pouco mais largada. Os sofás novos eram realmente perfeitos e minha mãe como decoradora arrasara mais uma vez. A sala parecia uma dessas de revista, na verdade a casa inteira ficaria assim um mês depois, com a chegada de todos os outros móveis. O Banheiro era logo após a sala, era preto e branco, e na parede logo acima da banheira havia uma imagem, como se fosse um desenho, de uma menininha ensaboada, com espuma nos cabelos e rindo. Todos se apaixonavam por aquela imagem, realmente o banheiro era elegante e ao mesmo tempo descontraído. Nossa cozinha era estilo americana, por um pequeno murinho a cozinha era dividida da sala de jantar, onde nós nos perdíamos. A mesa era para seis pessoas, raramente três sentavam nela. Da sala de jantar tinha uma porta enorme de vidro, que dava pra parte de trás da casa. Era praticamente a continuação do jardim, tinha um lounge menor do que o da entrada. No canto seria a nova área, com máquina de lavar e essas coisas. Subi as escadas da sala, admirando a ampla casa, era uma escada de madeira, grande, larga. Fazia um barulhinho no terceiro degrau, de baixo para cima, e isso sempre me assustava. Em cima eram os dois quartos e uma suíte, uma outra sala um pouco menor do que a anterior, que ninguém nunca iria ficar, e um banheiro, que no caso, era só pra mim. Meus pais ficaram na suíte, logicamente, e eu no quarto do meio, o quarto restante logo virou um escritório, meio biblioteca e porta trecos. Tudo de velho que minha mãe guardava meu pai tacava lá. "Casa nova, cidade nova, vida nova!" Ele dizia.
Meu sempre foi um médico muito bem sucedido, um cirurgião plástico, na verdade. Minha vó ficou doente e tivemos que ir para Minas. Adorava todo aquele pão de queijo todo dia, e aquele jeitinho do mineiro falar. Meu pai trabalhou na clínica do irmão, já que a família toda é dessa área médica. Minha mãe reclamou no início, não queria ficar longe de praia e de toda sua vida aqui no Rio de Janeiro, mas depois se acostumou. Minha vó se recuperou, mas continuamos lá. Dez anos depois ela faleceu, e com isso meus pais fizeram planos de volta, demorou dois anos para que o retorno realmente acontecesse, mas aconteceu. Metade de mim falava que sim, a outra metade falava que não. É claro que eu queria voltar, praia, festas, novos amigos e claro, reencontrar o Fernando. Mas por outro lado, não, eu não queria voltar, abandonar meus amigos, minha família, meus tios, meus estudos?
Minha faculdade era particular, uma das melhores de todo o Brasil, estava fazendo odontologia. Pedi transferencia para a faculdade do Rio, e claro, deu tudo certo. Meus amigos fizeram festa de despedida, e até hoje me visitam.
Sempre tive mais amizades masculinas do que femininas, Fernando não foi o único, apenas abriu o caminho para minhas amizades de boné, bermudão, camisa e chinelo, que falam grosso, cospem e caçam as partes íntimas em público, andam de skate e gostam de "pegar geral". Costumava descrever assim meus amigos homens. Claro que também tinham as meninas, na verdade nosso grupo era misto, mesmo contendo mais meninos a presença das meninas era forte também. Gustavo, Luana, Marcele, Caio, Lucas, Rafael e eu, que saudades disso tudo, de sair de casa e já encontrar todo mundo de bicicleta me esperando. Parecia coisa de novela mexicana, Luana era irmã de Lucas e gostava de Rafael, Rafael gostava de Marcele que pegava o Gustavo, que era a fim de mim. Eu por minha vez continuando a confusão gostei do Lucas e depois namorei o Caio por um ano, foi sério, mas terminamos. Eu tinha 15 na época, era uma menina ainda e não tinha certeza dos meus sentimentos, Caio gostava de mim, gostar não é amar, acho que confundimos a grande amizade com a paixão, mas quando chegou ao fim, tudo voltou a ser como antes, achei que fosse impossível, mas não foi. Não estive lá para dar detalhes do resto da história, mas hoje sei que Marcele e Rafael estão casados e sempre aparecem por aqui.
terça-feira, 21 de abril de 2009
Primeiro capítulo - Continuação
Postado por Mônica às 22:43
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